A produtividade da construção civil brasileira caiu 25,8% entre 2016 e 2023, segundo dados do levantamento “Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção”, elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Conforme mostram os dados, a construção civil brasileira enfrenta um impasse estrutural que vai além da escassez de trabalhadores no setor. Em 2023, cada trabalhador da construção brasileira gerou, em média, US$ 19 mil por ano, patamar inferior ao de outros países da América Latina como Chile (US$ 27 mil) e México (US$ 26 mil).
A distância é ainda maior quando comparada a mercados mais avançados, como Estados Unidos (US$ 84 mil) e Dinamarca (US$ 100 mil).
De acordo com a Fiesp, o cenário é agravado por outros fatores como o envelhecimento da força de trabalho formal e pela alta rotatividade.
Em 2024, segundo o levantamento, 75,1% dos profissionais formais tinham entre 30 e 64 anos, enquanto a participação dos jovens de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024.
A construção civil lidera o ranking de rotatividade de trabalhadores no mercado formal brasileiro. A taxa era de 63% entre junho de 2024 e maio de 2025, o que, segundo a Fiesp, impede o acúmulo de aprendizado, reduz a produtividade do trabalho e eleva os custos de recrutamento e treinamento.
Entre as empresas que relatam dificuldades de contratação, 55,1% apontam a falta de interesse dos candidatos, 55% também se queixam da escassez de profissionais qualificados, e 42,1%, a ausência de experiência.
Disputa com serviços
O levantamento destaca que a perda de atratividade do setor tem sido acentuada pela concorrência de serviços por aplicativos. O contingente de trabalhadores por aplicativos de transporte e entrega, por exemplo, cresceu 170% em dez anos, passando de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões no segundo trimestre de 2025.
“Esse mercado atrai um perfil socioeconômico semelhante ao da construção – majoritariamente masculino (83,9%), jovem e com ensino médio completo -, oferecendo maior flexibilidade, autonomia e rendimento habitual médio mensal superior (R$ 2.996 no setor de plataformas contra R$ 2.786 na construção em números de 2024)”, aponta o estudo da Fiesp.
Para reverter esse cenário, o estudo propõe uma agenda de modernização do setor no Brasil. O relatório aponta como estratégia a aceleração da industrialização e da digitalização, incluindo a ampliação do uso de Building Information Modeling (BIM), com maior nível de padronização, mecanização, pré-fabricação e construção modular.
Além disso, referências internacionais analisadas pelo estudo indicam que métodos industrializados podem reduzir entre 60% e 80% as horas de trabalho no canteiro de obras e entre 14% e 50% a necessidade de mão de obra – medidas que poderiam aumentar a produtividade do setor no Brasil, caso sejam implementados a implementação dos métodos construtivos mais modernos aumentar nos próximos anos.
Fonte: Valor Econômico — Por Rafael Vazquez — De São Paulo, 08/10/2026