Indústria da construção tem pior janeiro em 9 anos com cenário de juros altos, diz CNI

O desempenho da indústria da construção registrou 43,1 pontos em janeiro de 2026, o menor patamar para o mês desde 2017, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (26) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A instituição explica que o recuo em janeiro é comum, mas o setor está pressionado pelos juros altos e, neste mês, foi mais intenso e disseminado.

A evolução do número de empregados na construção ficou em 45,3 pontos em janeiro de 2026, sendo a terceira queda consecutiva e acumulando retração de 2,2 pontos no período. Já a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) também apresentou queda, de 3 pontos percentuais, de 67% para 64%, o menor patamar para o período desde 2021, quando o índice foi de 61%.

“Os juros altos encareceram o crédito, dificultando o acesso ao crédito pelas empresas e, consequentemente, os investimentos do setor. Além disso, prejudicaram a demanda, impactando o desempenho da construção”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

O fraco desempenho também acompanha a falta de confiança do empresário – na passagem de janeiro para fevereiro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) se manteve em 48,6 pontos. Com o resultado, a falta de confiança do setor completa 14 meses. Segundo a CNI, a avaliação é que as condições da economia brasileira e das empresas são negativas.

Ainda de acordo com o levantamento, todos os índices relacionados às expectativas dos empresários para os próximos seis meses caíram em fevereiro, mas se mantiveram acima dos 50 pontos, mostrando que ainda há perspectivas positivas: compra de insumos e matérias-primas, com recuo de 2 pontos, para 50,5 pontos; novos empreendimentos e serviços, que teve queda de 1,7 ponto, para 51,2 pontos; número de empregados, que caiu 1 ponto, para 51,8 pontos; e nível de atividade, que reduziu 0,7 ponto, para 52,1 pontos.

A intenção de investir também cedeu 1,7 ponto, de 44,6 pontos para 42,9 pontos, após quatro altas consecutivas. Ainda assim, o índice está acima dos 42 pontos registrados em fevereiro do ano anterior.

O levantamento, chamado de Sondagem Indústria da Construção, ouviu 312 empresas, sendo 122 pequenas, 125 médias e 65 grandes, entre 2 e 12 de fevereiro de 2026.

Fonte: Valor Econômico — Por Grace Vasconcelos, Valor — São Paulo, 26/02/2026

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