A venda de cimento cresceu 3,5% no Brasil, nos primeiros seis meses do ano, para 32 milhões de toneladas, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (Snic), na comparação com o primeiro semestre de 2024. No indicador de venda por dia útil, a alta foi de 5%.
Já em junho, houve recuo de 1,7% no volume total vendido, na comparação anual, para 5,4 milhões de toneladas. As vendas por dia útil subiram 0,5%, para 244,8 mil toneladas.
De acordo com a entidade, o que tem motivado o aumento das vendas no ano é o consumo do setor imobiliário e o mercado de trabalho ainda aquecido. No entanto, as “perspectivas futuras se mostram mais modestas”, com incerteza sobre a economia do país e uma instabilidade na economia global.
No acumulado dos últimos 12 meses até junho, o mercado interno brasileiro consumiu 65,7 milhões de toneladas de cimento, crescimento de 4,5% em relação ao período anterior.
Tarifas de Trump
O anúncio feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de que vai impor tarifas de 50% aos produtos brasileiros é mais um fator de estresse. Bernardo Jannuzzi, diretor do Snic, e Flávio Guimarães, economista da entidade, explicam que há impactos indiretos para o setor com o aumento do dólar.
As cimenteiras exportam pouco — de janeiro a junho, foram apenas 37 mil toneladas enviadas para fora do país —, mas são dependentes de material importado para produzir o cimento.
O coque de petróleo, importado do Golfo do México e cotado em dólar, responde por quase 70% do combustível usado nos fornos, que, por sua vez, responde por 40% do custo total de produção do cimento.
Um segundo impacto pode acontecer se o governo brasileiro decidir retaliar, com tarifas aos produtos americanos. Apesar de o coque não ser produzido nos Estados Unidos, a nota fiscal desses produtos costuma ser americana, já que as empresas produtoras estão no país.
“Daí a importância, para nós, do coprocessamento, que minimiza esse custo cambial e, agora, o de uma possível retaliação, com aumento de imposto e do preço do coque”, afirma Guimarães. Coprocessamento é um método que usa outros materiais para queima nos fornos, como matéria orgânica, resíduos industriais e até lixo urbano.
Previsão de crescimento
No início deste ano, a previsão do Snic era fechar 2025 com crescimento de 2% na venda de cimento. Com os resultados do semestre, já se espera algo na ordem de 3,5%, afirma Jannuzzi. Em 2024, o crescimento foi de 3,9%.
O segundo semestre costuma trazer vendas mais fortes para o setor, mas as pressões políticas e econômicas ainda podem atrapalhar o desempenho.
De janeiro a junho, as cinco regiões do país apresentaram aumento na comercialização de cimento, com destaque a Nordeste, cujas vendas subiram 7,4%, para 6,77 milhões de toneladas. Para os representantes do Snic, isso é resultado do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e dos programas assistenciais do governo.
A região Sul teve aumento de 5,5%, para 5,49 milhões de toneladas, seguida pela Norte, com incremento de 4%, para 1,5 milhão de toneladas. No Sudeste, responsável por 14,63 milhões de toneladas vendidas, o crescimento foi de 1,6%. No Centro-Oeste, a alta foi de 1,3%, para 3,6 milhões de toneladas comercializadas.
Fonte: Valor Econômico – Por Ana Luiza Tieghi, Valor — São Paulo, 10/07/2025