Setor de construção tenta atrair mulheres e jovens para preencher vagas nos canteiros

Um problema da construção civil é o envelhecimento da mão de obra do setor. A idade média nacional do setor é 41 anos, com presença majoritária de homens, revela o vice-presidente de Relações Trabalhistas da Câmara Brasileira da Indústria da Constrição (CBIC), Ricardo Michelon.

O recorte etário levou entidades do setor a reforçarem campanhas que atraiam jovens e mulheres para trabalhar na construção. O movimento ganhou força no ano passado com um atrativo específico: formação técnica, afirma o presidente do Sinduscon-SP, Yorki Estefan. Segundo a entidade, apenas 12,4% dos trabalhadores da construção no Estado são mulheres.

Em nível nacional, a presença feminina continua mínima, de 9,2% de vagas formais, segundo estudo do Ibre sobre perfil do trabalhador da construção civil, conduzido pela economista Ana Maria Castelo. Para ela, a oportunidade do setor crescer é treinando e contratando mulheres.

Castelo cita que há um esforço das entidades em destacar a modernizar processos e aumentar a eficiência, também como forma de atrair mais pessoas e diversificar o perfil da força de trabalho.

Outro fator que restringe a entrada de novos trabalhadores é a instabilidade da remuneração, diz o gerente de mão de obra Valderi Carvalho. Segundo o Ibre, muitos profissionais recebem por hora ou semana, sem férias, 13º salário ou contribuição previdenciária.

Hoje, o piso é de R$ 2,6 mil, mas funções que exigem qualificação podem alcançar de R$ 10 mil a R$ 12 mil, como carpinteiros, montadores de formas e pedreiros de acabamento, informa Estefan. Os valores maiores, entretanto, refletem a escassez de determinada função acompanhando o ciclo produtivo das obras.

Plataformas como Glassdoor e Portal dos Salários indicam que a remuneração para mestre de obras em 2025 varia entre R$ 4.044 e R$ 7.371, dependendo da formação e do segmento. Para elevar a renda, muitos recorrem a múltiplos contratos ou trabalho por entrega, o que aumenta a sobrecarga, acrescenta Carvalho.

Estefan defende ampliar parcerias com entidades como o Sebrae e criar programas de progressão de carreira para tornar o setor mais atrativo. Ele sugere ainda repensar o modelo formal de contratação: “hoje, apenas 26% dos profissionais da construção são contratados pelo regime CLT – um número pequeno, que mostra como o modelo se tornou ultrapassado para atrair os mais jovens, mais propensos a atuar como microempreendedores individuais (MEI)”.

Fonte: Valor Econômico — Por Isadora Camargo — De São Paulo, 21/10/2025

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