Prestes a concluir o cumprimento das etapas financeiras da recuperação judicial, a Eternit busca crescimento do seu principal negócio - o de telhas de fibrocimento. Segundo o presidente, Luís Augusto Barbosa, informou ao Valor, a companhia pretende elevar a capacidade de produção de telhas de fibrocimento em quase 50% no prazo de três anos. A Eternit avalia a construção de duas fábricas do produto. Recentemente, anunciou a compra da concorrente Confibra por R$ 110 milhões.

De janeiro a março, o volume vendido de telhas de fibrocimento cresceu 53%, na comparação anual, para 191 mil toneladas. Foi o melhor desempenho da companhia, no primeiro trimestre, no segmento, desde 2016. Nos últimos anos, a Eternit substituiu o amianto - mineral pelo qual se tornou conhecida - por polipropileno na fabricação de telhas.

A Eternit produz telhas de fibrocimento em quatro fábricas - duas com quatro máquinas de 7 mil toneladas mensais, cada, e duas com duas máquinas. Considerando-se os custos de transporte do produto, os próximos investimentos serão feitos em fábricas menores, com até duas máquinas. Cada equipamento custa cerca de R$ 50 milhões.

A fábrica da Confibra, localizada em Hortolândia (SP), possibilitará que a Eternit tenha produção do segmento no Estado de São Paulo, maior centro consumidor do país. O abastecimento de São Paulo será feito pela Confibra e pelas fábricas da Eternit do Rio de Janeiro e no Paraná.

A próxima unidade do segmento poderá ser erguida no Nordeste, onde a Eternit já tem uma fábrica na Bahia, ou na região Norte. A aquisição da Confibra, quando concluída, será paga com recursos de aumento de capital realizado com essa finalidade. Quando bater o martelo em relação à construção da nova fábrica, a Eternit fará a opção por nova capitalização ou por contratar financiamento junto a órgãos de fomento do Norte ou Nordeste.

Em curso, a companhia tem projetos de elevação de 25% da capacidade de telhas de fibrocimento da fábrica de Goiânia e de 15% da unidade do Rio de Janeiro. A previsão é que o adicional de capacidade do Rio de Janeiro seja concluído neste ano e, de Goiânia, no primeiro trimestre de 2022.

Outra das principais apostas da Eternit é o projeto de telhas com células fotovoltaicas. Por enquanto, foram implantados seis projetos-pilotos da Tégula Solar para avaliação de desempenho do produto. As vendas das telhas de concreto com essa tecnologia começarão no segundo semestre. Nas próximas semanas, a Eternit dará início aos testes de células fotovoltaicas também em telhas de fibrocimento, cujo custo é menor do que o das telhas de concreto.

“Estamos saindo de um negócio [amianto] mal visto, do ponto de vista do meio ambiente, e entrando em energia limpa e sustentável”, afirma Barbosa.

Enquanto aguarda “posição jurídica clara” em relação ao amianto, conta o presidente, a Eternit direciona toda a produção de fibra de crisotila para o mercado externo, como Alemanha, Estados Unidos, Japão, Índia, Vietnã e Sri Lanka.

A companhia reverteu o prejuízo líquido de R$ 14,9 milhões do primeiro trimestre do ano passado e registrou lucro líquido de R$ 58,4 milhões de janeiro a março. A receita líquida cresceu 137,9%, para R$ 270,3 milhões. A Eternit obteve receita financeira líquida de R$ 2,5 milhões, ante a despesa financeira líquida de R$ 5,6 milhões um ano antes.

Desde o início da recuperação judicial, a companhia tem leiloado ativos para pagar credores. Segundo Barbosa, a questão está equacionada, e ainda há três ativos que podem ser vendidos, agora com destinação dos recursos para o caixa da Eternit.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 12/05/2021