A maratona de leilões de infraestrutura concluída em abril representará R$ 48 bilhões em novos investimentos no país, ao longo dos próximos 35 anos. Foram seis dias de disputas na B3, 14 novos contratos de concessão gerados no último mês e ao menos seis liminares cassadas pela Justiça, que tinham o objetivo de impedir as licitações.

Os principais vencedores foram grupos tradicionais, como CCR, Santos Brasil, Ecorodovias, Aegea Saneamento e Iguá. A EcoRodovias, por exemplo, venceu a disputa pela BR-153. Já a CCR levou dois dos três blocos de aeroportos da região Sul e do Centro-Oeste do país e linhas da CPTM em São Paulo. A Santos Brasil adquiriu três terminais portuários no Maranhão. A Aegea Saneamento foi a principal vencedora do leilão da Cedae na sexta-feira.

Os novos projetos serão executados por grandes operadores que já atuam no Brasil. Para especialistas, essa é uma tendência que deve se manter nos próximos leilões. A ausência de novos investidores estrangeiros chama a atenção, mas analistas ponderam que há grupos externos que têm usado companhias consolidadas no Brasil como veículo para entrar nos leilões.

Esse movimento se observa, por exemplo, com a entrada do fundo de pensão Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB) no capital da Iguá, o aporte da Itaúsa na Aegea, o avanço da GLP, de Cingapura, em rodovias, a injeção de recursos do grupo italiano Gavio na Ecorodovias e pelas bem-sucedidas capitalizações de empresas listadas na bolsa, como ocorreu com a Santos Brasil.

Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, diz que o Brasil tem diversos bons operadores e não será esse o gargalo para os projetos. Ainda assim, especialistas dizem que há diferentes grupos estrangeiros, com capital e experiência em concessões, que têm sondado o mercado brasileiro, mas ainda não entraram.

Estão previstos ainda este ano leilões de grandes rodovias, a exemplo da Dutra e estradas no Paraná.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Taís Hirata — De São Paulo, 03/05/2021