Os mercados brasileiros começaram a semana em ritmo mais lento e operaram bem perto do zero a zero durante grande parte do pregão, à espera de novos catalisadores, como a divulgação de resultados corporativos e indicadores macroeconômicos, a exemplo do IPCA-15 de abril, que será conhecido hoje.

Ontem, o Ibovespa teve alta de apenas 0,05%, aos 120.595 pontos, em um dia de liquidez bastante restrita. O giro foi de R$ 18,35 bilhões, abaixo da média diária de R$ 25,68 bilhões neste ano. Na mesma dinâmica de movimentos pouco acentuados, a taxa de juros do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 4,61% no ajuste anterior para 4,645% no fim da sessão regular, enquanto o do DI para janeiro de 2027 permaneceu inalterado em 8,34%.

De forma geral, os ativos acompanharam o ambiente relativamente tranquilo no exterior e, mesmo sem grande animação, monitoraram as discussões sobre o andamento da agenda de reformas no Brasil.

Sem grandes novidades no campo político ou macroeconômico, o noticiário corporativo acabou despontando na bolsa, com a temporada de balanços ganhando força nesta semana e em meio às especulações de consolidação de setores que foram duramente castigados pelos impactos econômicos causados pela pandemia. Ontem, o maior destaque foi o acordo de associação anunciado entre as empresas de varejo de moda Hering e Grupo Soma.

Hering ON disparou e subiu 26,19%, figurando na liderança dos destaques de maiores altas. Fora do Ibovespa, Grupo Soma ON caiu 10,14% e Arezzo ON recuou 3,26%, após ficar de fora de eventual acordo, com a recusa da Hering por proposta feita anteriormente. Também entre os destaques positivos, CVC ON ganhou 5,14%, reagindo à aquisição da totalidade da participação em duas empresas argentinas do setor de turismo.

Para o estrategista-chefe da Guide Investimentos, Luís Sales, as aquisições podem trazer melhorias no resultado da CVC com a recuperação do setor no médio prazo. “O movimento demonstra que a CVC pode voltar ao mercado para adquirir empresas menores que passaram por dificuldades com a crise”, ressalta.

A injeção de ânimo com consolidação setorial também influenciou o segmento de shopping centers, impulsionando BR Malls ON (alta de 3%), Multiplan ON (1,82%) e Iguatemi ON (2,38%), e o setor de educação, com ganho de 0,76% para Cogna ON. “Movimentos de consolidação semelhantes ao observado entre Hering e Grupo Soma podem ocorrer em outras empresas do setor de varejo e consumo e também em outros segmentos”, diz Davi Lelis, analista da Valor Investimentos.

Já no mercado de juros, o que prevaleceu foi a expectativa com o IPCA-15 de abril. A mediana das projeções coletadas pelo Valor Data aponta para uma alta mensal de 0,67% do indicador e de 6,24% no acumulado em 12 meses.

Os números de inflação, inclusive, devem ser acompanhados de perto pelos agentes por conta da proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A curva de juros precifica chance majoritária (aproximadamente 70%) de alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, como tem sido sinalizado pelo colegiado desde a reunião de março.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Felipe Saturnino, Olívia Bulla, Victor Rezende e Lucas Hirata — De São Paulo, 27/04/2021