Um cenário de materiais da construção civil com custos em alta, em especial aço e condutores elétricos, levou ao aumento de 18,65% no Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2021. A observação partiu do gerente da Sinapi do instituto, Augusto Sergio Lago de Oliveira. "De maneira geral, todas as variações [do Sinapi] de 2021 foram muito elevadas", comentou ele. A taxa do Sinapi de 2021, além de superior à de 2020 (10,16%), foi a maior da série histórica do indicador, iniciada em 2013, segundo o IBGE.

Ao falar sobre a trajetória do indicador em 2021, o técnico chamou atenção para a taxa de dezembro, que ficou em 0,52%, ante 1,07% em novembro. Mesmo com a desaceleração observada na evolução mensal do indicador, indicou, a taxa do último mês do ano ainda é muito elevada, em termos históricos. Oliveira informou que, se fosse feita uma mediana das taxas mensais da série histórica, desde 2013 para o Sinapi, essa mediana seria de 0,45%. "Portanto está [a taxa de dezembro] no limite superior da mediana."

O pesquisador comentou que a ascendência de custos mensurada pelo indicador começou no mesmo ano de início da pandemia, em 2020, e parece não ter se interrompido, até o fim de 2021. Embora a taxa do Sinapi de 2021 tenha sido mais impulsionada por acelerações concentradas no primeiro semestre daquele ano, o custo em alta dos materiais do setor, mensurado pelo indicador, já opera de forma elevada desde algum tempo após chegada da covid-19 ao país, admitiu Oliveira.

O aumento de custo de matéria-prima, desde começo da pandemia, ajuda a explicar o cenário de materiais em alta mensurado pelo Sinapi, informou o técnico. O pesquisador pontuou que, no questionário feito para angariar dados para calcular o indicador, esse fator, "custo de matéria-prima mais elevado" quase sempre é apontado como justificativa para aumento de materiais.

"Foi o custo de materiais [que elevou o Sinapi em 2021]". O custo de mão de obra se manteve dentro do padrão [em 2021] do que vemos continuamente nos anos da construção civil" completou ele.

O técnico observou, ainda, que a matéria prima mais custosa ocorreu em ambiente de demanda aquecida no setor da construção civil - algo que ocorre desde começo da pandemia, em 2020.

Ao ser questionado se o mesmo ambiente, de materiais mais caros na construção devido a custo de matéria-prima elevado, pode se repetir em 2022, o pesquisador preferiu não tecer previsões. "É algo que nossa pesquisa não tem como responder", afirmou.

— Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva, Valor — Rio, 11/01/2022