Canteiro de obras reutiliza insumos

Visto como o setor produtivo que produz o maior volume de resíduos sólidos, a construção civil continua com o desafio de reduzir, reciclar e reutilizar cada vez mais o que descarta. Grandes construtoras têm implementado ações para diminuir os resíduos e reinserir materiais na economia circular. “A busca por práticas mais sustentáveis é um pilar fundamental no setor, impulsionada pela legislação e pela demanda por responsabilidade ambiental”, afirma José Belém Barbosa Neto, superintendente de obras do Grupo DirecionalCotação de Direcional.

O executivo aponta que, no ano passado, a empresa triturou e reaproveitou cerca de 7,3 mil m3 de resíduos com métodos e projetos que permitem a reciclagem de materiais, a compostagem de resíduos orgânicos e a venda, para a GerdauCotação de Gerdau, de formas utilizadas por cerca de 400 vezes. “Em 2024, essas iniciativas permitiram destinar 53,35 m3 de sucata de formas de alumínio e 25,46 m3 de sucata de ferro e aço para a produção de novos materiais metálicos”, diz ele.

TendaCotação de Tenda , que também envia à siderúrgica sobras de aço que não podem ser reaproveitadas, buscou uma solução para o concreto, um dos insumos mais usados. “Ao final das concretagens, usamos o material que ficou na bomba ou sobrou dentro da betoneira para produzir peças pré-fabricadas que serão utilizadas dentro da própria obra”, conta Graziela Palumbo Tubaldini, gerente técnica da construtora.

Ela afirma que o modelo construtivo da empresa não utiliza chapisco, emboço ou gesso, além de o consumo de bloco cerâmico ou de concreto ser muito baixo. “Consequentemente, a nossa geração de resíduos é bem inferior”, aponta.

É possível gerenciar obras com ações que incluem segregação de materiais na origem, controle de transporte e rastreabilidade de resíduos com foco em logística reversa e destinação correta, reforça a MRVCotação de MRV. “Há também um trabalho contínuo de conscientização dentro dos canteiros, o que possibilita que a separação de materiais seja viável mesmo diante da dinâmica intensa da construção civil”, afirma o gestor de relações institucionais e sustentabilidade da companhia, José Luiz Esteves da Fonseca.

A empresa faz logística reversa de alguns insumos como aço, PVC, madeira e embalagens de tinta. “Conseguimos negociar com algumas fornecedoras o recebimento e retirada desses itens para reciclagem ou reaproveitamento, o que em determinadas situações gera descontos em novos fornecimentos”, conta Fonseca. A construtora ainda reaproveita material de demolições em sub-bases para pavimentação.

Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente de meio ambiente do Sinduscon-SP, diz que ao longo dos anos houve evolução significativa no setor em relação à economia circular. Segundo ele, há empresas que destinam mais de 90% dos resíduos gerados para reciclagem e/ou logística reversa, o que mostra o amadurecimento sobre práticas sustentáveis na construção.

Embora a entidade não tenha dados precisos sobre a geração de resíduos por ser difusa, Vasconcellos avalia que cerca de 30% vêm de obras formais, enquanto os 70% restantes têm origem em reformas e autoconstruções. “Essa parcela de 70% representa um grande desafio para gestores públicos na busca por uma gestão eficiente e adequada de resíduos”, afirma Vasconcellos.

Fonte: Valor Econômico – Por Para o  Valor — São Paulo, 09/06/2025
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