A produção de materiais de construção deverá ter crescimento anual médio em torno de 5%, entre 2019 e 2022, na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Rodrigo Navarro. A estimativa do dirigente fica entre as projeções de 7,5% e 3,6% de expansão anual dos dois cenários mais otimistas traçados para a produção, durante os quatro anos do próximo governo, pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido da entidade. "O momento é de otimismo consciente", diz Navarro.

A Abramat solicitou que a FGV traçasse quatro cenários. No melhor deles, chamado de "Os limites do possível", o Produto Interno Bruto (PIB) do país tem crescimento médio de 3% ao ano; a construção, expansão anual de 2%; o varejo de materiais, de 3%; e a indústria de materiais, de 2,5%. Partindo dessas variáveis, foi projetada alta de 7,5% para a produção anual de materiais de construção e 7% de crescimento anual composto (CAGR) do PIB entre 2019 e 2022. O presidente da Abramat ressalta que, no melhor cenário, o país volta a ter o PIB de 2014 em 2020.

No segundo melhor cenário, chamado de "Superando obstáculos", as variáveis anuais consideradas são alta do PIB de 2%, crescimento da construção de 1%, varejo de materiais com expansão de 2% e indústria de materiais, com alta de 1,5%. Nesse caso, a produção de materiais tem expansão anual de 3,6%, enquanto o crescimento composto do PIB de 2019 a 2022 é de 2,9%. O PIB do país retornaria ao patamar de 2014 em 2021. 

Chamado de "Aos trancos e barrancos", o terceiro cenário considera crescimentos anuais médios de 1% para o PIB, de 0,5% para a construção, de 0,75% para o varejo de materiais e de 0,6% para a indústria de materiais. A produção de materiais teria queda anual de 0,1%, enquanto haveria encolhimento do PIB de 1% entre 2019 e 2022.

O pior cenário, denominado "A tempestade perfeita" considera que, na média anual, o PIB do Brasil e da indústria de materiais não crescem, a construção encolhe 0,5%, e o varejo de materiais tem expansão de 0,5%. Nesse caso, a produção de materiais cai 2,6% ao ano, e a retração do PIB entre 2019 e 2022 chega a 5%, de acordo com as projeções da FGV.

Para 2018, a Abramat mantém a estimativa de que o faturamento deflacionado dessa indústria terá aumento de 1,5%, interrompendo três quedas anuais consecutivas. De janeiro a outubro, houve expansão de 1,6%. Há expectativa de mais demanda por materiais de construção, no próximo ano, em decorrência da esperada retomada de obras de infraestrutura, do crescimento dos lançamentos do mercado imobiliário e da expansão das vendas do varejo, segundo Navarro.

O déficit habitacional - estimado em 7,77 milhões de moradias, no ano passado, pela FGV -, a expectativa de continuidade do programa habitacional Minha Casa Minha Vida a necessidade de investimentos em infraestrutura  urbana e os aportes em retrofit que vêm ocorrendo também favorecem a demanda por materiais. Segundo Navarro, as conversas antes das eleições apontam que o novo governo está aberto a contribuições do setor privado, e a indústria está preparada para contribuir com as discussões em relação a temas como a indústria 4.0.

Na semana passada, foi lançada a plataforma de modelagem de informações da construção (BIM, na sigla em inglês), que contribuirá, de acordo com Navarro, para que haja mais conformidade técnica no setor de construção. A Abramat pretende que, a partir de 2019, startups ligadas a empresas de materiais passem a ser membros colaboradores e que entidades setoriais verticais se tornem membros institucionais da entidade.

Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 03/12/2018