A pandemia obrigou as empresas a acelerarem a transformação digital. E a computação em nuvem é um elemento fundamental nesse ecossistema. Uma pesquisa realizada com 200 empresas brasileiras de grande porte patrocinada pela Dell Technologies, em parceria com a Intel, coloca a adoção da “cloud” entre as cinco principais prioridades de investimento ao lado da segurança, análise de dados, trabalho digital e serviços de terceiros.

Para atender essa demanda os provedores de computação em nuvem dobraram suas apostas no mercado brasileiro. A IBM expandiu sua capacidade de nuvem pública com a inauguração do Multizone Region de IBM Cloud em São Paulo para atender toda a América Latina. “Os clientes aceleraram estratégias de nuvem para garantir operações de trabalho remoto e dar escalabilidade aos negócios”, aponta Thiago Viola, líder da plataforma de cloud na IBM.

 

A Microsoft abriu uma nova região de datacenter, a Brazil Southeast, com sistema de recuperação de desastres e planeja para 2021 o lançamento da Brazil South, mais uma zona de disponibilidade em sua nuvem para apoiar grandes cargas de trabalho, afirma João Nunes, diretor de nuvem da Microsoft.

A oferta remota de soluções por meio da nuvem foi essencial para a continuidade dos negócios, garantir a segurança e conformidade nos processos. “Atendemos demandas de empresas por sistemas que permitem aos colaboradores o acesso aos materiais de trabalho para o dia a dia, incluindo videoconferências e navegação rápida na rede”, ressalta Gustavo Abrell, diretor de nuvem na Logicalis.

A pandemia acelerou a migração tanto das empresas que não tinham nuvens e precisavam manter suas operações em “home office”, como aquelas que já estavam em uma jornada de transformação digital, tinham estruturas de atendimento centralizadas e projetos de automação e inteligência artificial rodando.

A pressa em migrar para esse ambiente nem sempre é benéfica. Estudo da IDC sobre adoção de nuvem híbrida feito com cem empresas, mostra que 49% delas não têm abordagem clara de modernização de aplicações e pelo menos 22% pensam em levar suas aplicações como estão para a nuvem, o que não é aconselhável, lembra Luciano Ramos, gerente de pesquisa e consultoria da IDC.

Um importante elemento a ser considerado é a automação e o monitoramento desse ambiente. Para isso não basta apenas um bom provedor de nuvem. Pequenas falhas em uma linha de código podem derrubar uma plataforma inteira de comércio eletrônico. Segundo Roberto Carvalho, vice-presidente da Dynatrace para a América do Sul, a evolução do ambiente de nuvem prevê uma operação autônoma com a ajuda de inteligência artificial para detectar e corrigir problemas antes que aconteçam.

Uma das soluções muito demandadas nesse período foi o desktop virtual - serviços de virtualização de aplicativos e área de trabalho executado na nuvem -, forma encontrada pelas empresas que não teriam a capacidade de comprar novos notebooks para toda sua rede de colaboradores para garantir o fluxo de trabalho.

Empresas que possuem soluções de atendimento ao consumidor, como as de varejo, bancos e serviços - em especial aqueles que já nasceram digitais, a exemplo de aplicativos de transportes e entregas - são as mais beneficiadas pela elasticidade da nuvem para escalar negócios.

Com o home office, a nuvem ajudou a ativar estações de trabalho, conexões de rede virtual (VPN), acesso remoto a arquivos, colaboração e videoconferência. “Entre maio a outubro, aumentou a demanda do setor financeiro para o desenvolvimento aplicações nativas em nuvem e integração de soluções com o PIX que estava em processo de homologação”, afirma Lidiane Carvalho, diretora de serviços de nuvem da TecCloud, do Grupo Stefanini. Na opinião de Paulo Ossamu, líder da Accenture Technology América Latina, a adoção da nuvem ainda é incipiente no Brasil e tem muito espaço para crescer no comércio eletrônico, varejo e bens de consumo.


Fonte: Valor Econômico - Suplementos, por Ana Luiza Mahlmeister - Para o Valor, de São Paulo, 25/11/2020