Conforme expectativa confirmada a partir de julho, as vendas de cimento no mercado brasileiro passam por um processo de desacelaração da forte demanda observada a partir de junho de 2020. Na época, puxado por obras da autoconstrução residencial e comercial e pelo aquecimento do mercado imobiliário, o consumo subiu mês a mês.

Em setembro, segundo dados divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas tiveram queda de 1,6%, com volume de 5,7 milhões de toneladas, na comparação com mesmo mês do ano passado.

No acumulado do ano até setembro, o setor registrou total de 49,2 milhões de toneladas vendidas, o que representou aumento de 9,7% comparado ao mesmo período do ano passado, informa o SNIC. Com isso, o desempenho da indústria até agora mostra perda de 1,7 ponto percentual em relação a agosto, reduzindo o ganho que era de 11,4% no acumulado de janeiro a agosto.

Por dia útil, informou o SNIC, a venda do produto no mês passado, de 247,7 mil toneladas, mostrou crescimento de 1,4% sobre agosto e queda de 2 % em relação a setembro do ano passado.

Conforme a avaliação da entidade, “os principais indicadores de vendas de materiais de construção, particularmente do cimento, continuam desacelerando em virtude da menor renda da população e crescente endividamento das famílias, alto nível de desemprego, diminuição do auxílio emergencial e elevação das taxas de juros e inflação”.

Para Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC, o aumento dos lançamentos imobiliários sustenta o desempenho do setor de cimento, mas impõe cautela para o futuro.

“É fundamental que haja geração de renda e emprego para manter o fôlego da autoconstrução, continuidade dos lançamentos imobiliários e manutenção ritmo de obras para permanecermos com um alto nível de vendas de cimento”, destacou no comunicado.

Segundo o dirigente, a infraestrutura, que pode ser um grande indutor do consumo de cimento, ainda permanece com um desempenho abaixo do necessário.

cimento; construção — Foto: Pixabay

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ivo Ribeiro, Valor- São Paulo, 07/10/2021