Shell vai investir R$ 3 bilhões até o final de 2025 no Brasil em negócios integrados de energia, disse o diretor de renováveis e soluções de energia da empresa, Guilherme Perdigão, em entrevista coletiva nesta terça-feira (21).

Segundo Perdigão, o Brasil, junto com os Estados Unidos, Europa Ocidental e Austrália, é um dos mercados prioritários para a petroleira em meio aos esforços do grupo para zerar emissões líquidas de carbono globais até 2050. A petroleira lança hoje a marca Shell Energy Brasil focada nos negócios para a transição energética no país.

“O Brasil tem uma abundante oferta de gás e recursos renováveis competitivos, além da perspectiva da abertura do mercado de energia, com a Nova Lei do Gás e o crescimento exponencial do mercado livre de energia elétrica”, disse Perdigão. No caso do Brasil, o foco dos investimentos vai ser o mercado integrado de energia renovável, com foco em geração solar e eólica, voltados para o mercado livre, com expansão das áreas de comercialização e autoprodução.

A empresa também pretende ampliar as atividades em gás, com ampliação da produção de gás no pré-sal, além da importação de gás natural liquefeito (GNL) e geração termelétrica a gás. “O Brasil é sempre uma caixa de surpresas. O país tem, como qualquer outro lugar, uma série de volatilidades, mas o grupo Shell está buscando oportunidades de crescimento em diversas áreas, eventualmente até não tradicionais”, afirmou o presidente da Shell Brasil, André Araújo.

Energia eólica

A Shell confirmou que vai entrar no segmento de geração eólica em alto-mar no Brasil. A gerente desenvolvimento de projetos de geração de energias renováveis, Gabriela Oliveira, disse que a empresa quer trazer para o Brasil a experiência internacional do grupo com a fonte.

“Estamos ansiosos para entender o decreto que o governo vai desenvolver até o final do ano para incentivar essa fonte limpa e renovável. Temos experiência fora do Brasil com essa fonte e visamos começar esse desafio também no Brasil”, disse Oliveira. Segundo ela, ao todo, o grupo tem US$ 600 milhões em investimentos planejados para o Brasil até 2025.

Energia elétrica

A Shell está focando o desenvolvimento dos negócios de energia elétrica no Brasil na região Sudeste, em projetos voltados para o mercado livre. Gabriela diz que o maior desafio para tirar os projetos da fase de desenvolvimento é a conexão à malha de energia elétrica. Ao todo, o grupo tem 2 gigawatts (GW) de projetos de geração eólica e solar em desenvolvimento no país.

“Visamos o crescimento do portfólio e buscar diversificar localizações onde a gente entende que poderemos escoar a energia dos projetos com menos entraves”, disse Gabriela.

De acordo com Perdigão, a ênfase da expansão da empresa no país no setor de renováveis vai ser para o mercado livre. “O Brasil é uma prioridade pelo grupo pela crescente demanda de energia elétrica que, na nossa avaliação, tem perspectiva de continuar crescendo”, disse.

Termelétrica

A termelétrica Marlim Azul, projeto da Shell Brasil em construção em Macaé (RJ), tem 70% das obras concluídas, segundo Perdigão.

A térmica será a primeira do país operada por uma empresa privada a ser abastecida pelo gás do pré-sal. Com capacidade de gerar 565 megawatts (MW), a usina tem previsão de entrar em operação em 2023. O projeto envolve também a construção de um gasoduto de 22 quilômetros.

“Os principais equipamentos já estão no local. O nosso grande desafio nesse projeto foi a covid”, disse Perdigão. Marlim Azul é uma joint venture da Shell Brasil com o Pátria Investimentos e a Mitsubishi Hitachi Power Systems.

A empresa também estuda participar do leilão que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai realizar ao final do ano para contratar usinas termelétricas no modelo de capacidade.

“Estamos na fase de entender as regras. Estamos otimistas, a perspectiva é positiva, mas não consigo ainda cravar que vamos participar. Sendo um leilão novo, temos que entender e nos preparar para isso”, disse Perdigão.

Segundo o executivo, o grupo estuda projetos na região de Macaé (RJ), como forma de expandir o projeto Marlim Azul, e avalia projetos a gás natural liquefeito (GNL) em outra regiões do país.

Perdigão destacou que o Brasil vai precisar expandir a geração termelétrica, de modo a garantir o suprimento de energia elétrica em meio à expansão de fontes renováveis intermitentes. Ele elogiou a iniciativa da Aneel de realizar o primeiro leilão no modelo de capacidade no país.

“Na nossa visão, em função do crescimento da demanda de energia elétrica e do perfil do suprimento, focado em renováveis, vemos como importante para o país a contratação de capacidade instalada adicional, para complementar essas renováveis e oferecer um suprimento confiável ao consumidor”, disse Perdigão.

Nesse contexto, a Shell vê espaço para ampliar os investimentos em GNL no Brasil. A gerente de vendas e originação de gás, Carolina Bunting, destacou que os agentes do setor têm ganhado mais confiança no processo de abertura em curso no mercado de gás nos últimos meses. “Acho que existe espaço para mais um terminal de regaseificação no Brasil”, afirmou.

Já na área de energias renováveis, a empresa pretende expandir a atuação em geração solar e eólica. No caso da solar, o grupo deve desenvolver os próprios projetos, enquanto para a eólica a perspectiva é de aquisições de usinas em desenvolvimento.

“Nada nos impede de entrar no mercado de energia eólica terrestres com projetos já desenvolvidos ou em desenvolvimento. Para nós, faz mais sentido entrar com a aquisição, e não desenvolver projetos do zero no momento”, explicou Gabriela.


Fonte: Por Gabriela Ruddy, Valor — Rio, 21/09/2021