O plástico ganha tecnologias para ser mais biodegradável, renovável e reciclável. O material emprega de beterraba a cana-de-açúcar. A Braskem, que quer alcançar neutralidade de carbono em 2050, é pioneira mundial em polietileno de etanol da cana-de-açúcar em escala industrial, com a marca I’m Green. Em fevereiro, anunciou investimentos de US$ 61 milhões para expandir a produção de biopolímeros em Triunfo (RS), de 200 mil para 260 mil toneladas anuais.

Também firmou parceria com a Valoren, especializada em transformação de resíduos, para linha de reciclagem em Idaiatuba (SP), com capacidade para transformar 250 milhões de embalagens de polietileno e polipropileno de origem doméstica em 14 mil toneladas de reciclados pós-consumo (PCR) por ano.

A Abiplast, associação dos fabricantes de plástico, compõe a Rede para Circularidade do Plástico, com 57 empresas e projetos como Retorna, com indicadores de capacidade de reúso ou reciclabilidade de embalagens. Entre os participantes estão a Wise, recicladora produtora de embalagens de higiene pessoal em cadeia integrada, e Veolia, cujos caminhões chegam a aterros para separar materiais na origem, diz Paulo Teixeira, diretor superintendente da Abiplast, representante do segmento.

A Wise tem tecnologias para separar, lavar, processar e filtrar embalagens para gerar resina comparável à virgem e gera produtos com 100% de material reciclado, diz o CEO Bruno Igel. De produtos de vida curta, como potes de manteiga, nascem outros de vida longa, de baldes a dormentes de ferrovias, desenvolvidos com a Vale.

Os compromissos da Unilever para 2025 incluem usar 100% de materiais reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis, reduzir pela metade a quantidade de plástico virgem e ajudar a coletar e processar mais embalagens vendidas. Produtos como Omo já possuem garrafas plásticas 100% recicláveis com 35% de PCR na composição e 100% nas tampas, diz a gerente de compras regional da Unilever Brasil, Paula Schreiber.

A Coca-Cola definiu para 2030 ter 100% de embalagens recicláveis (hoje são 99,4%), 50% de conteúdo reciclado nas embalagens (atualmente, 15% no Brasil) e coletar e reciclar 100% das embalagens que produz e vende. Internamente tomou medidas como garrafa retornável com formato universal para diferentes marcas, tecnologia originada no Brasil presente em diversos países. As linhas de retornáveis respondem aqui por 21% de todas as embalagens e 30% do volume de bebidas.

Em 2018 nasceu o Reciclar pelo Brasil, projeto em parceria com Ambev com 23 empresas e a Associação Nacional dos Catadores (Ancat). Em 2020 foram recolhidos 105 mil toneladas de materiais recicláveis, incluindo plástico, vidro, papel e metal. Com a Femsa criou a Sustenta Pet, em parceria com o app Cataki, que conecta geradores de resíduos a catadores, cooperativas e pontos de entrega. O projeto Solar fará o mesmo no Norte e Nordeste, com o Grupo Simões. No ano passado foi lançada a garrafa de água de 500 ml Crystal com resina 100% reciclada, diz o gerente de sustentabilidade Cone Sul da Coca-Cola América Latina, Rodrigo Brito.

Na Grendene, a avaliação do ciclo de vida dos produtos impactou operações, com redução de 57% do uso de água e 13% da emissão de carbono em pouco mais de cinco anos. Resíduos pré-consumo, da indústria, são reciclados e retornam à produção, que já usa 30% desse material, de tintas a polímeros. No pós-consumo, PET reciclado e biomateriais compõem cadarços e gáspeas, diz o gerente de desenvolvimento sustentável, Carlos André Carvalho. A coleção Recria (Ipanema), 100% reciclável, usa 60% de material reciclado e biomateriais de casca de arroz. A Melissa ganhou chinelos com material feito de cana, o primeiro 100% EVA da marca.

A Arcos Dorados (McDonald’s) mira eliminação de plásticos de um só uso, com redução de 40% dos materiais na rede de 2018 para cá. Canudos só a pedido, diz o diretor de desenvolvimento sustentável e impacto social, Gabriel Serber.


Fonte: Por Martha Funke — De São Paulo, 21/09/2021