O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, deixou uma alta de 0,13% em agosto para 0,09% um mês depois, mostrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Tratase do menor IPCA-15 para meses de setembro desde 2006 (0,05%). O índice ficou ligeiramente abaixo do registrado em setembro de 2017 (0,11%). 

A pesquisa trouxe ainda que a inflação em 12 meses desacelerou de 4,30% em agosto para 4,28% em setembro. No acumulado do ano, a prévia do IPCA registrou elevação de 3,23% A leitura do IPCA-15 de setembro ficou abaixo da média das estimativas obtidas pelo Valor Data com 32 consultorias e instituições financeiras, de 0,17% de aumento. Também ficou no piso das projeções, que iam de 0,09% a 0,27% de alta. Para o acumulado em 12 meses, a previsão era de inflação em 4,36%.

A prévia do chamado ?IPCA cheio? ? para o qual são estabelecidas as metas de inflação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ? segue abaixo do centro do alvo do governo para 2018, de 4,5% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano. No comunicado, manifestou que a conjuntura permite a política de estímulos, que pode ser retirada gradualmente caso o cenário de inflação e/ou balanço de riscos piorem.

Grupos

Os preços dos alimentos e dos combustíveis voltaram a recuar em setembro e contribuíram para a desaceleração do IPCA-15 do mês.

Os alimentos tiveram deflação de 0,41% em setembro, após uma ligeira alta de 0,03% em agosto. O grupo, que representa um quarto do orçamento das famílias, retirou assim 0,10 ponto percentual do IPCA-15 do mês e manteve prévia da inflação comportada.

A desaceleração do grupo de alimentação refletiu o comportamento favorável da alimentação dentro de casa ? recorte que exclui serviços de alimentação, como restaurantes e lanchonetes. Os alimentos para consumo em casa recuaram 0,70% em setembro.

Dos alimentos em baixa, o IBGE chamou atenção para a queda nos preços da cebola (-18,51%) e da batata-inglesa (-13,65%), em baixa pelo terceiro mês consecutivo, além do leite longa vida (-6,08%) e das carnes (-0,97%).

Por outro lado, a alimentação fora de casa ficou 0,12% mais cara, ainda que a alta tenha sido menor do que a apurada em agosto, de 0,84%. Destacam-se a refeição (de 0,67% em agosto para 0,06% em setembro) e o lanche (1,63% em agosto para 0,06% em setembro).

Os combustíveis, por sua vez, tiveram queda de 0,19% nos preços em setembro, a terceira redução consecutiva. Parte dos analistas esperava avanço dos preços dos combustíveis, por causa dos reajustes praticados pela Petrobras.

O preço da gasolina recuou 0,07% e etanol teve queda de 1,36%. O óleo diesel, por seu turno, aumentou 2,41% em setembro, após cair 0,50% em agosto. Esse item, porém, tem pouco peso no consumo das famílias medido pelo IPCA-15.

Embora em terreno positivo, a tarifa de energia elétrica também desacelerou na passagem dos meses e ajudou a descomprimir o IPCA-15. A energia elétrica subiu 0,34%, sétimo mês consecutivo de resultado positivo, mas bem abaixo do verificado em agosto (3,59%).

O IPCA-15 mediu a variação de preços coletados de 14 de agosto a 13 de setembro de 2018. O indicador refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange nove regiões metropolitanas e mais duas cidades. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Bruno Villas Bôas, 21/09/2018