A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) deve reafirmar o discurso feito pelo Banco Central nas decisões recentes, com manutenção do juro básico em 6,5% ao ano, de acordo com economistas ouvidos pelo Valor. A autoridade monetária deve mostrar o balanço de riscos caminhando em uma direção desfavorável e poderá elevar as projeções de inflação para 2019. Não é esperado, no entanto, nenhuma indicação para as próximas reuniões.

Guidance: A expectativa dos economistas é que o BC mantenha o tom das reuniões anteriores, sem indicar uma postura mais severa ou dar viés de alta dos juros nos próximos encontros do colegiado. Isso acontece porque, a cerca de duas semanas e meia do primeiro turno das eleições, o momento é
delicado. A autoridade monetária não deu nenhuma indicação de mudança nas últimas semanas e nada aconteceu de tão significativo desde o início do período de silêncio, segundo especialistas.

Inflação: Embora o tom do comunicado não deva ser alterado, é esperada algum ajuste, para cima, das projeções de inflação para 2019 no cenário de referência, seguindo a depreciação cambial adicional desde a última reunião em agosto. A projeção que estava em 3,80% poderá passar para a faixa de 4,10 a 4,20%, sendo que alguns economistas já esperam taxa acima da meta para o ano que vem, que é de 4,25%.

Cenário externo: O BC pode salientar a piora adicional na conjuntura internacional para países emergentes. A mensagem pode ir no sentido de mostrar que o apetite pelo Brasil e seus pares hoje é menor, em um contexto de investidores menos tolerantes à estratégias gradualistas de ajuste fiscal. É esperado, com isso, algum comentário sobre o novo patamar do câmbio.

Atividade: Enquanto o cenário externo está pior e o dólar continua em trajetória de alta, agora o BC tem mais informações sobre os efeitos da greve dos caminhoneiros na atividade, inclusive o PIB do segundo trimestre. Os números mostram que a atividade está mais fraca e que o hiato do produto continua aberto, o que dá menos espaço para o repasse cambial.


Fonte: Valor - Finanças, por Daniela Meibak, 19/09/2018