Vendas recordes nos meses de junho, julho e agosto levaram a Vedacit a revisar, novamente, para cima a projeção de faturamento para este ano. A fabricante de impermeabilizantes, mantas asfálticas, protetores de superfície, selantes, aditivos para concreto e argamassas estima, agora, elevar seu faturamento em 5%. A projeção é que a receita bruta chegue a R$ 535 milhões em 2020.

O desempenho previsto continua abaixo dos 15% de crescimento estimados no início do ano, mas é bastante superior à expectativa feita pela Vedacit, em abril, que haveria queda de 17% ante o valor orçado e retração de 4% na comparação anual, considerando-se um cenário pessimista.

Em junho, a empresa reviu a projeção para aumento de 3% do faturamento. A melhora da estimativa resultou da reabertura das revendas - principal canal de escoamento de seus produtos - e da concessão pelo governo do auxílio emergencial a uma parcela da população. Naquele mês, foi necessário abrir um segundo turno de produção de manta asfáltica em Itatiba (SP).

A Vedacit registrou três meses consecutivos de recordes de vendas, segundo o presidente, Marcos Bicudo. A expansão na comparação anual foi de 33%, em junho, de 34%, em julho, e de 18%, em agosto. Nos quatro últimos meses do ano, o crescimento tende a ser menor, pois a empresa registrou forte ritmo de vendas no segundo semestre de 2019.

Bicudo conta que o auxílio-emergencial de R$ 600 incentivou o consumo de materiais de construção principalmente nas regiões Norte e Nordeste. “Na Bahia, houve uma explosão de consumo que só pode ser explicada pelo ‘coronavoucher’. O Centro-Oeste é muito influenciado pelo agronegócio e não sentiu o impacto da pandemia. Nas regiões Sudeste e Sul, houve muita oscilação nas vendas”, diz o presidente da Vedacit.

Na avaliação de Bicudo, o impacto da redução pela metade do auxílio emergencial tende a ser mitigado pela retomada da construção civil. O executivo ressalta que o Casa Verde Amarela - programa habitacional que substituiu o Minha Casa, Minha Vida - incluiu a regularização fundiária, o que tende a estimular a autoconstrução para a melhora das moradias e, consequentemente, o consumo de materiais.

O presidente da Vedacit cita também que, como boa parte das pessoas está passando mais tempo em casa, e os gastos com lazer diminuíram, volume maior de recursos têm sido utilizados em reformas. Ele acrescenta que a taxa Selic em patamar baixo torna os financiamentos imobiliários atrativos e que o marco regulatório do saneamento resultará em mais demanda por materiais de construção.

Para 2021, a Vedacit está projetando crescimento entre 15% e 20%. Há intenção de recuperar os dez pontos percentuais que a empresa deixará de crescer, neste ano, se sua projeção mais recente for confirmada.

Além da retomada da construção, Bicudo espera que contribuam para o desempenho almejado o ganho buscado de participação de mercado e a expansão da venda direta para as construtoras. Atualmente, as revendas respondem por 75% dos negócios da Vedacit, e os 25% restantes se referem às construtoras. A meta da empresa é que as vendas às empresas passe a corresponder a 30% do total.

A Vedacit chegará ao fim de 2020 com utilização de 72% de sua capacidade instalada. Bicudo estima que esse uso chegará a 80% da capacidade nos próximos dois anos.

A empresa anunciará, em breve, aumento de preços de sua cesta de produtos que deverá ser de 3% a 4% para repassar as altas recentes no valor do asfalto e de matérias-primas dolarizadas. “A Petrobras anunciou aumento de 6% no asfalto em agosto”, diz. Em fevereiro, a Vedacit fez reajuste médio de preços de 10%.

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 18/09/2020