O anúncio da Caixa Econômica Federal de reduzir juros de financiamento da casa própria em um momento da alta da taxa básica Selic evocou lembranças de 2012, um período no qual a instituição estatal se esforçou em cumprir seu papel na cruzada do governo Dilma Rousseff contra os “spreads” bancários. Na época, a Caixa puxou a fila das reduções de custo dos financiamentos imobiliários como forma de pressionar os pares privados a seguir seu exemplo.

Em abril de 2012, a Caixa anunciou um corte de 21% no custo dos empréstimos habitacionais dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Na ocasião, a taxa mínima das linhas atreladas à taxa referencial (TR), a mais comum no mercado até hoje, saiu de 10% ao ano para 9% a todos os interessados, com possibilidade de recuar a 7,9%, caso o tomador fosse ou se tornasse cliente do banco.

Na véspera do dia do trabalho, em 30 de abril, a presidente Dilma cobrou redução dos juros bancários das instituições privadas. A mandatária classificou como "inadmissível" que o Brasil, com "um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com um dos juros mais altos do mundo".

A Caixa voltou a reduzir os juros dos financiamentos imobiliários pelo SFH em junho, de 9% para 8,85% ao ano. Mais tarde, em janeiro de 2013, o banco cortou ainda mais o custo mínimo para 8,4%.

Na época, a Selic estava em processo de queda. O Banco Central começou a cortar a taxa básica na reunião de 17 de janeiro de 2012, quando reduziu o juro de 11% ao ano para 10,50%.

A Selic continuaria caindo nos meses seguintes até atingir 7,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 10 de outubro de 2012. A taxa permaneceu nesse patamar até 17 de abril de 2013, quando o BC começou um novo ciclo de aperto monetário e elevou o juro para 7,50%. A Selic alcançou 14,25% em 29 de julho de 2015.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Sérgio Tauhata, Valor — São Paulo, 17/09/2021