Economistas reduziram novamente a projeção de inflação e de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22).

O relatório, elaborado pelo Banco Central, reúne as previsões cerca de cem de economistas de instituições financeiras.

A inflação passou de 5,80% para 5,75% e a estimativa para o PIB, de 2,31% para 2,28%, a décima queda consecutiva.

Para a Selic (taxa básica de juros), a previsão se manteve em 9,25%, mas para 2014, a perspectiva foi reduzida de 9,5% para 9,38% (mediana).

As previsões de inflação e de PIB para o ano que vem também foram reduzidas. A estimativa de crescimento do PIB passou de 2,80% a 2,60%, e de inflação, de 5,90% para 5,87%.

A piora das estimativas reflete um panorama econômico incerto, com a freada no consumo das famílias e de um cenário externo desafiador num contexto de recuperação da economia dos Estados Unidos e crescimento mais lento da China.

Na ata de sua última reunião, o Copom reforçou a avaliação do mercado de que a recuperação da economia seguirá lenta, destacando que a queda da confiança das famílias e empresas dificulta essa retomada. A supressão do trecho que considera limitações no campo da oferta, foi lida pelos economistas como uma indicação de atividade mais fraca.

INDÚSTRIA

A produção industrial também deve ser menor do que o esperado, segundo o boletim, de 2,10%, ante 2,23% da semana passada. A queda dessa projeção ocorre pela quarta semana consevutiva. Para 2014, a perspectiva de crescimento da indústria se manteve em 3,0%.

DÓLAR

A previsão para a taxa de câmbio no fim do ano se elevou, de R$ 2,20 para R$ 2,24 em 2013 e manteve-se em R$ 2,30 para o fim de 2014.

Na semana passada, o presidente do Fed (banco central americano) Ben Bernanke sinalizou que poderá retirar os estímulos à economia caso o crescimento do país se consolide, mas que não o fará agora.

O BC americano promove uma política de compra de títulos para injetar dinheiro na economia e de taxa de juros baixa com o intuito de estimular o crescimento do país. Recentemente, Bernanke deu a entender em uma fala que essa política seria reduzida. Com perspectiva de aumento da taxa de juros do país, muita gente retirou o dinheiro de economias emergentes, como o Brasil, para investir em títulos dos EUA, cujo risco é menor. O movimento fez com que o real se desvalorizasse perante o dólar, gerando instabilidade nos mercados.

Com o discurso da semana passada, no entanto, o mercado interpretou que a redução não será imediata, e que será feita de maneira mais transitória, sem afetar de forma tão abrupta os fluxos de dinheiro.

TOP 5

Os analistas Top 5 - os que mais acertam as previsões no Focus - mantiveram suas apostas para o IPCA em 2013, em 6,02%, mas reduziram a projeção para a inflação em 2014, de 6,30% a 5,97%. As medianas das estimativas para a Selic ao fim de 2013 e de 2014 seguiram ambas em 9,50%.


Fonte: Folha de São Paulo, 22/07/2013