A prévia da inflação oficial de julho mostra que o efeito da paralisação dos caminhoneiros, pelo menos sobre os preços, foi ?um choque temporário?, avalia Luiz Castelli, economista da GO Associados.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de julho, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,64%. A estimativa média de 28 economistas de consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data apontava para uma alta de 0,73%, com o piso das projeções em 0,65%. Em junho, a alta havia sido de 1,11%.

Castelli destaca que itens influenciados pela paralisação dos caminhoneiros, como a alimentação no domicílio, já apresentam desaceleração, de 1,4% em junho para 0,74% em julho. ?Os alimentos in natura e os combustíveis também já começaram essa devolução?, diz.

A inflação mais benigna do que o esperado pode fazer com que a GO Associados reveja para baixo a sua projeção para o IPCA cheio de julho, atualmente em 0,23%.

Outro indício da pontualidade do choque de preços é o índice de difusão, que mede a quantidade de itens na cesta de preços do IPCA que apresentaram alta no mês. Essa medida estava em 48% no IPCA-15 de maio, subiu para 66% em junho e caiu para 54,2% neste mês.

A inflação dos serviços também segue confortável, segundo Castelli. Excluindo do cálculo as passagens aéreas, que têm preços normalmente voláteis, houve recuo tanto nos números mensais (0,28% em junho contra 0,23% em julho) quanto no acumulado de 12 meses (3,38% para 3,28%, nesse mesmo tipo de comparação).

Usando uma medida do núcleo dos serviços calculada pelo Banco Central,que também exclui itens voláteis como cursos educacionais e turismo, houve queda de 3,09% para 2,97% no acumulado de 12 meses. Já o cálculo do Goldman Sachs para as três principais medidas de núcleo - que são usadas retirar da inflação os itens mais voláteis - mostra alta de 0,50% em julho, ligeiramente acima do 0,48% de junho, levando a taxa em 12 meses a 3,48%, ante 3,12% no mês anterior, uma inflação ainda distante da meta de 4,5% estipulada para o ano.

Para o acumulado do ano, a estimativa da GO Associados é que o IPCA fique em 4%. A projeção antiga de 3,6% foi revista há aproximadamente um mês, principalmente por causa da desvalorização do câmbio. A paralisação teve pouco impacto sobre esse cálculo, segundo ele. ?A mensagem é que, apesar da greve, a inflação segue bem confortável?, diz Castelli.

Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, afirma que os sinais de que a inflação provocada pela greve foi em sua maior parte revertida devem fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha o juro básico em 6,5% ao ano.

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Estevão Taiar, 20/07/2018