As vendas inferiores ao esperado para construtoras e varejo estão levando o setor cerâmico a projetar crescimento, em 2019, menor do que o inicialmente previsto, assim como outros segmentos da indústria de materiais de construção já vem sinalizando. A Associação Nacional dos Fabricantes de Revestimentos Cerâmicos (Anfacer) revisou a projeção para este ano de aumento das vendas domésticas de 5% para 3,5%, chegando a 718,8 milhões de toneladas.

Segundo o diretor-superintendente da Anfacer, Mauricio Borges, havia expectativa de melhora da construção civil decorrente da mudança de governo, mas o setor não reagiu como se esperava. "As empresas estão reduzindo custos e buscando melhorias para estarem prontas quando a economia voltar a reagir", diz Borges, acrescentando que isso pode ocorrer neste semestre.

De janeiro a maio, as vendas internas de revestimentos cerâmicos cresceram 6,3%, em relação ao mesmo período de 2018, para 290 milhões de toneladas. A avaliação desse patamar de expansão precisa levar em conta a greve dos caminhoneiros ocorrida em maio do ano passado. Com a queda da comercialização naquele mês, as vendas domésticas subiram 21,4% em maio na comparação anual.

As vendas totais de revestimentos cerâmicos - mercado interno e exportações - cresceram 5,3%, no acumulado de cinco meses, para 328,1 milhões de toneladas.

As exportações caíram 2,1% em volume, para 38,1 milhões de toneladas. A Anfacer, que projeta estabilidade no volume embarcado, neste ano, ante 2018, tem reforçado ações em parceria com as empresas para promover os revestimentos cerâmicos brasileiros no mercado internacional. Nos próximos meses, haverá missões para os Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita.

O Brasil ocupa a terceira posição mundial como produtor e consumidor de cerâmica. Em 2017, o país respondia por 5,8% da produção mundial e por 5,2% do consumo. De janeiro a maio, a capacidade instalada de revestimentos cerâmicos no país era de 91,9 milhões, patamar 4,1% superior ao do intervalo equivalente de 2018.

O gás natural responde por 25% do custo de cada metro quadrado de cerâmica produzido no país. O presidente da Anfacer ressalta que a expectativa de queda do preço do gás decorrente das mudanças anunciadas pelo governo contribuíram para a melhora dos ânimos do setor.


Fonte: Valor - Empresas / Indústria, por Chiara Quintão - de São Paulo, 04/07/2019