A B3, bolsa de valores oficial brasileira, deu largada à segunda fase de ações de apoio à sociedade no combate ao novo coronavírus. Nesta etapa, além das áreas de saúde e alimentação, há iniciativas para ajudar a garantir renda para microempreendedores. Serão destinados R$ 17 milhões, que vão se somar aos R$ 12,3 milhões da primeira fase e outros R$ 20,7 milhões da terceira, totalizando R$ 50 milhões.

Dos R$ 17 milhões da segunda fase, R$ 12 milhões já foram doados e os outros R$ 5 milhões serão nos próximos dias. Entre os financiamentos aplicados estão: R$ 1,5 milhão para 150 negócios comunitários, alcançando mais de 150 mil pequenos produtores e extrativistas, sendo 50% na Amazônia e 50% de outros biomas. O acesso aos recursos será pelo Fundo Socioambiental Conexsus (FSCX). Outro é para o Fundo Volta Por Cima para negócios de impacto social e ambiental nas periferias das cidades, que deve beneficiar 55 negócios de junho a dezembro (R$ 250 mil). Este fundo foi criado pelo banco Pérola e a Articuladora de Negócios de Impacto na Periferia (Anip), composta pela A Banca, Artemisia e FGVcenn.

“O que motiva a B3 a estruturar os projetos é o compromisso com o desenvolvimento de longo prazo do país, que vai muito além do funcionamento do mercado”, afirma Gilson Finkelsztain, presidente da bolsa. Segundo ele, é necessário um olhar mais amplo para todos os aspectos econômicos e sociais da pandemia. Neste ano, a bolsa completa 130 anos de atuação.

Há ainda nesta fase ações para saúde com o Matchfunding Salvando Vida (BNDES e Confederação das Santas Casas) para suprir a demanda de 20 hospitais (R$ 2 milhões); Unidos contra a covid-19 para a Fiocruz na condução de duas pesquisas de testagem massiva (R$ 2 milhões) e o Todos pela Saúde (Redes da Marél) com R$ 250 mil para aquisição de cestas básicas e produtos de higiene pessoal destinados aos moradores das 16 favelas da Maré, no Rio de Janeiro, que beneficia 16.695 pessoas.

A alimentação é um dos focos desta etapa. Para a Ação da Cidadania (R$ 2 milhões) estão sendo distribuídos 34 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza, que ajudam 136 mil pessoas por mês; enquanto os Amigos do Bem (R$ 2 milhões) receberão cestas básicas e kits de higiene para famílias do sertão, beneficiando 100 mil pessoas em julho e agosto. Há ainda R$ 2 milhões o Merenda em Casa (Comunitas), que auxilia 113 mil alunos que vivem em extrema pobreza em São Paulo e que não recebem bolsa família. Neste caso, há uma complementação de R$ 55 no repasse de alimentação feito pelo Programa Merenda em Casa do governo estadual.

Haverá também o Projeto Estímulo 2020, com o G K Ventures, para capital de giro a micro negócios e Movimento Black Money para empreendedores negros, principalmente do Norte e Nordeste

Na primeira fase, de acordo Finkelsztain, as iniciativas foram rapidamente direcionadas mais para a saúde para que a curva da pandemia fosse contida. Os hospitais das Clínicas de São Paulo e de Ribeirão Preto receberam R$ 2,5 milhões cada. Também o Albert Einstein e o Sírio Libanês receberam R$ 2,5 milhões cada para ajudar na gestão de hospitais vários hospitais públicos na capital paulista. Foram ainda doados R$ 1 milhão para o Merenda em Casa; R$ 600 mil para o Rio Contra o Corona e o mesmo valor para a União São Paulo, ambos voltados para cestas básicas e kits de limpeza e R$ 100 mil para a Missão Belém, destinada a moradores de ruas, além de outras doações para hospitais.

“Fomos rápidos, junto com os nossos parceiros, e o dinheiro da primeira fase foi operacionalizado do dia 10 ao dia 23 de março” diz Finkelsztain. Segundo ele, procurou-se engajar cerca de 2,2 mil funcionários com ações como: se um funcionário doasse uma cesta básica, a B3 doaria cinco. Assim, rapidamente chegou-se a 30 mil cestas.

Na terceira fase, que envolve R$ 20,7 milhões continuarão os apoios à saúde, com foco em testes e imunização, bem como alimentação e parceria com organizações para crédito a microempreendedores.


Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Maria Cândida Vieira - São Paulo, 26/06/2020