A plataforma digital de compra e venda de imóveis usados Reex deu início às suas operações com R$ 20 milhões entre recursos próprios e de outros investidores para aquisições das unidades. O início das atividades é marcado por parceria nacional com a Santander Holding Imobiliária. Nesse caso, a compra pela Reex de imóveis usados será atrelada à aquisição, por parte do vendedor, de unidade comercializada pela instituição financeira por meio de leilão ou de uma imobiliária.

A Reex está negociando parcerias semelhantes com a área imobiliária de outros bancos e, futuramente, poderá ter acordos também com incorporadoras.

O modelo de atuação da plataforma digital de compra e venda da Reex prevê aquisição com desconto de imóveis residenciais com valor acima dos do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, salas comerciais, flats e quartos de hotel para posterior venda. Mas, diferentemente do grupo Zap e da Loft, que também entraram no segmento de compra e venda de imóveis, a Reex não fará reforma das unidades.

Para interessados em vender uma unidade, o primeiro passo é a contratação do serviço de avaliação de preços oferecido pela Reex. A partir daí, a empresa informa ao potencial vendedor esse valor de avaliação e por quanto estaria disposta a comprar a unidade. O proprietário tem cinco dias para a tomada de decisão e, se optar pela venda, precisa comprovar que a documentação está regular.

Desde que o imóvel atenda a critérios como documentação regularizada e não estar em cidade com menos de 250 mil habitantes, nem rua sujeita a deslizamento de terra e não asfaltada, a Reex se compromete em comprá-lo com pagamento à vista e faz a oferta por valor com desconto em relação ao de avaliação. Trata-se de lógica parecida com a de aquisição de carros por parte de concessionárias.

Segundo o diretor da Reex, Fabio Topczewski, o modelo oferecido possibilita acelerar a venda de unidades do mercado secundário, ou seja, de imóveis usados, ainda "travado" à espera da retomada da economia e da melhora dos indicadores. Posteriormente, a empresa venderá via imobiliárias e leiloeiros, além da própria plataforma digital, a unidade com um desconto menor do que o deságio pelo qual terá comprado o imóvel.

Empresa tem R$ 20 milhões entre recursos próprios e de outros investidores para aquisições das unidades

Os recursos da operação precisam ser direcionados pelo vendedor para a compra de unidade que faça parte dos estoques do Santander e, mais para frente, também de outras instituições financeiras. O negócio de aquisição do imóvel pertencente ao banco pode já ter sido fechado ou não.

Segundo o superintendente da Santander Holding Imobiliária, Fabio Ferreira Gusmão, o uso desses recursos para compor o pagamento do imóvel vai contribuir para dar mais liquidez à venda dos estoques do banco. Gusmão projeta em 10% o aumento da comercialização decorrente da parceria, com destaque para o estímulo de venda de usados.

Da carteira de 2 mil imóveis do Santander, as unidades novas oriundas de dívidas das incorporadoras com o banco são vendidas por imobiliárias, enquanto a negociação dos retomados de pessoas físicas por falta de pagamento ocorre em leilão. No próximo leilão nacional, o banco vai comercializar imóveis usados com desconto de até 72% em relação ao valor de mercado. Na cidade de São Paulo, o abatimento chega a 48%.

O superintendente da Santander Holding Imobiliária diz estar otimista em relação ao setor imobiliário e tem a expectativa que a aprovação da reforma da Previdência tende a se refletir em aumento dos preços de imóveis. "Se a reforma da Previdência for aprovada, haverá um salto grande nas vendas. Hoje, o investidor está à espera da aprovação e, na tomada de decisão de contratar um crédito imobiliário, o trabalhador tem medo de ser demitido", afirma Gusmão.

Segundo ele, as vendas da Santander Imóveis foram muito boas no primeiro bimestre, ruins em abril e boas em maio. Com a taxa Selic em 6,5%, investidores têm liderado as compras de imóveis pertencentes ao banco, como resultado da migração de recursos de aplicações financeiras para ativos reais.

O diretor da Reex ressalta que o desempenho tanto do mercado primário quanto do secundário depende da economia. Sem a melhora dos indicadores de emprego, renda, crédito e confiança, o mercado "dificilmente, decola", de acordo com Topczewski. "Enquanto não tivermos um ambiente de negócios realmente favorável, o país não crescerá, o que compromete todos os setores, incluindo o imobiliário, dependentes de capital de longo prazo", afirma o representante da Reex.


Fonte: Valor-Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo,