A Caixa prepara o lançamento de linhas de crédito imobiliário atreladas ao IPCA em cerca de duas semanas. O esboço que vem sendo discutido prevê a indexação dos contratos à inflação mais um adicional de até 6% ao ano.

Esse percentual poderá ser reduzido para até 1% se o cliente tiver outros produtos do banco, como seguros e cartão de crédito - algo que é praxe no mercado, mas nem tanto na Caixa.

Em reunião com empresários, o presidente do banco, Pedro Guimarães, afirmou que as linhas de financiamento habitacional atreladas ao IPCA vão ser "sem dúvida as menores do mercado".

O executivo disse considerar que o setor imobiliário brasileiro só é viável, no médio prazo, com o uso do IPCA nos contratos. "TR só existe no Brasil. Como faz hedge disso?", questionou, em referência à Taxa Referencial, indexador usado nos contratos atuais. "Tem hedge se for em IPCA ou corrigido por câmbio, o que é uma maluquice."

Desde que assumiu o comando da Caixa, Guimarães tem dito que pretende securitizar carteiras de crédito imobiliário, o que abrirá espaço no balanço para fazer mais operações. A correção dos financiamentos pelo IPCA é necessária tendo em vista esse objetivo, pois o mercado teria pouco interesse em certificados de recebíveis imobiliários (CRI) com ativos corrigidos pela TR.

Em paralelo à indexação pelo IPCA, o governo discute com os bancos mudanças na regulamentação das letras imobiliárias garantias (LIG) para que os títulos possam ser emitidos no exterior, como noticiou o Valor na segunda-feira. Nesse caso, há ainda questões em aberto sobre o impacto da variação cambial sobre o funding.

A LIG e a securitização são dois caminhos em estudo pela equipe econômica para diversificar as fontes de recursos para o setor imobiliário e torná-lo menos dependente das fontes atuais, o FGTS e a poupança.

O executivo afirmou também que a Caixa vai retomar o protagonismo que costumava ter no financiamento imobiliário com recursos da poupança (SBPE). A Caixa fechou abril com R$ 5,901 bilhões em operações desde o início do ano, o dobro do volume que originou no mesmo período de 2018. O crescimento fez com que a instituição voltasse a liderar o mercado, posição perdida para o Bradesco no ano passado.

De acordo com o presidente da Caixa, o crédito tem de ser apenas um componente no retorno gerado pelos clientes. Para isso, o banco tem apostado em outras em outras modalidades de produtos, como seguros, cartões e adquirência - o que lhe ajuda a melhorar a oferta para os correntistas e, ao mesmo, tempo dar maior atratividade aos ativos que pretende oferecer ao mercado em aberturas de capital.

A estratégia também passa por um melhor uso da rede de atendimento da Caixa, composta por cerca de 26 mil pontos entre agências, lotéricas e correspondentes bancários. O banco fechou o ano passado com 98 milhões de clientes.


Fonte: Valor-Finanças, por Talita Moreira - de Salvador e Feira de Santana (BA),