O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem estar confiante no trabalho do relator da reforma da Previdência na Câmara, Samuel Moreira (PSDB-SP) e do Congresso. "Estamos otimistas quanto ao compromisso de conseguirmos aprovar a reforma com a potência fiscal necessária para desbloquear o horizonte de investimentos no Brasil", disse.

A declaração a jornalistas foi feita após reunião de Guedes, Moreira, o secretário de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho e técnicos da equipe econômica. Guedes foi questionado sobre a potência fiscal da qual falou seria a economia de R$ 1 trilhão em dez anos projetada pelo governo. Porém, o ministro não respondeu e passou a palavra ao relator do texto.

Moreira não falou em números sobre a economia com a reforma se forem feitas alterações no texto. Porém, disse ter convicção da necessidade de aprovar mudanças na aposentadoria que representem economia significativa. "Essa meta [R$ 1 trilhão] é uma meta coerente, nós vamos buscá-la", disse.

O relator da reforma da Previdência disse que, se houver concessões em algum pronto do projeto, irão buscar no Orçamento "alguma compensação de recursos que possam ser melhor aplicados na Previdência do que em outra área".

Moreira disse ainda não ter definido quais pontos podem ser retirados da proposta de emenda constitucional (PEC). "Há uma convergência de ideias, o governo está aberto a aceitar mudanças no projeto", afirmou.

O deputado também comentou declaração do presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PR-AM), de que será apresentado um substitutivo ao texto enviado pelo governo.

"Substitutivo é um termo absolutamente técnico da técnica legislativa. Estamos trabalhando em cima do projeto que o governo enviou, é esse projeto, só tem esse projeto e vamos continuar assim", esclareceu.

Moreira reafirmou sua intenção de apresentar o relatório até 15 de junho. Disse estar ouvindo as sugestões de emendas, técnicos e o governo. Segundo ele, o clima entre o Congresso e o governo é de união. "Estamos cada vez mais unidos, os partidos... Não há nenhum desentendimento", disse. O relator complementou dizendo que é preciso aprovar a reforma para que o país possa 'andar' e outras pautas serem discutidas.


Fonte: Valor - Política, por Ana Kruger - de Brasília,