Passadas as demissões de trabalhadores temporários do varejo, a geração de vagas formais deve ter acelerado em fevereiro, mas ainda em ritmo morno, avaliam economistas. A média das projeções de 19 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta para abertura de 89,8 mil postos com carteira em fevereiro, acima das 34,3 mil vagas de janeiro.

As estimativas variam de 50 mil a 150 mil. Se confirmada a média dasprojeções, este será o melhor resultado para meses de fevereiro desde 2014, quando foram criadas 260,8 mil vagas. Em fevereiro de 2018, foram gerados 61,2 mil empregos com carteira.

A Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia ainda não tem data para divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, mas o indicador costuma ser publicado próximo ao dia 20 de cada mês.

A LCA Consultores projeta a abertura de 71 mil postos com carteira em fevereiro. "Sai aquela questão sazonal do mês de janeiro, das demissões restantes de trabalhadores do comércio, e passa a predominar o que seria uma média para o ano", diz Cosmo Donato, economista da LCA.

Apesar da aceleração esperada, o analista destaca que, com ajuste sazonal, o número representaria uma abertura de 25 mil vagas, estável em relação a janeiro. "Não é, portanto, uma aceleração que vá além da sazonalidade", diz. "É um fevereiro morno."

Donato destaca que a recuperação econômica está se dando de forma muito lenta. Além disso, há um aumento da incerteza com relação à aprovação das reformas, tanto na questão da articulação política do governo, como de que reforma será aprovada e em que momento do ano.

"Isso pesa na confiança do empresariado", afirma o analista. Segundo ele, é semelhante ao que aconteceu em 2018, quando um esfriamento das expectativas culminou em retenção de contratações. "É bem capaz que tenhamos de novo, nos próximos meses, uma frustração na criação de vagas, com o empresariado segurando contratações à espera de um horizonte mais positivo."

Por setores, Donato avalia que a geração de vagas deve continuar a ser puxada por serviços e varejo, após indústria e construção civil terem decepcionado em janeiro, contrariando a expectativa de alguma recuperação.

O Itaú, por sua vez, projeta a abertura de 150 mil empregos com carteira assinada em fevereiro. "Ajustado à sazonalidade, a nossa estimativa implica na criação de 42 mil vagas formais, reduzindo a média móvel trimestral dessazonalizada de 46 mil para 35 mil", escrevem os economistas do banco, em relatório.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou que a indústria paulista gerou 2,5 mil novas vagas em fevereiro, em relação a janeiro, numa alta de 0,11% sem ajuste sazonal. Com ajuste, houve queda de 0,08%. Na comparação com fevereiro de 2018, também houve recuo de 1,85% no nível de emprego, com o fechamento de 40 mil postos.


Fonte: Valor, por Thais Carrança - de São Paulo,