A economia brasileira completou em novembro o terceiro mês consecutivo de crescimento pela métrica do Banco Central. Em relação a outubro, no cálculo já dessazonalizado, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBCBr) teve alta de 0,49%.

Em outubro, a variação positiva já havia sido de 0,37%, dado revisado do 0,29% estimado anteriormente. Os números, divulgados ontem pela autoridade monetária, reforçam a perspectivas de uma expansão de aproximadamente 1% da atividade em 2017, de acordo com economistas.

O resultado de novembro ficou acima da média dos prognósticos feitos pelas 16 instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que sugeria crescimento de 0,44%. De janeiro a novembro, a variação ficou positiva 1,06%, no cálculo já com ajuste sazonal. Na comparação com novembro de 2016, o índice teve alta de 2,85%, também na série com ajuste.

Na média móvel trimestral, por sua vez, o IBC-Br teve alta de 0,38%, após avanço de 0,11% em outubro. Por fim, nos 12 meses encerrados em novembro, o crescimento foi de 0,68% na série sem ajuste e de 0,73% no dado ajustado. Devido às revisões constantes, o IBC-Br calculado em 12 meses é considerado mais estável do que a medição mensal.

Para Helcio Takeda, economista da Pezco, a evolução do acumulado de 12 meses mostra que o crescimento da economia vem ficando mais forte. Sempre na série com ajuste, o indicador começou o ano negativo em 3,99% nesse tipo de comparação. Ele permaneceu no vermelho até setembro (-0,25%), para só depois inverter o sinal e crescer 0,29% em outubro. A Pezco calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2017.

Embora seja anunciado como "PIB do BC", o IBC-Br tem metodologia distinta das contas nacionais calculadas pelo IBGE.

Alberto Ramos, diretor do Departamento de Pesquisa Econômica para a América Latina do Goldman Sachs, usa o dado da autoridade monetária como "um indicador imperfeito" do PIB, para ter uma ideia aproximada da evolução da atividade. Segundo ele, o crescimento de novembro deixa uma herança estatística de 1,24% para o PIB em 2018.

Isso significa que, se em dezembro do ano passado e durante todo este ano a atividade permanecer no mesmo patamar de novembro, ela crescerá 1,24%. No quarto trimestre em relação ao terceiro, essa herança é de 0,8%. O mercado trabalha com uma estimativa de crescimento de 1,01% do PIB de
2017. Já o Ministério da Fazenda projeta 1,1%, e o Banco Central estima alta de 1%.

O desempenho positivo do IBC-Br em novembro, por sua vez, foi influenciado por um crescimento disseminado dos principais segmentos da economia: alta de 0,2% da produção industrial, de 0,7% e 2,5%, respectivamente, dos varejos restrito e ampliado (que inclui veículos, motos, partes e peças e material de construção) e de 1% do volume de serviços, de acordo com pesquisas mensais setoriais do IBGE.

Parte do crescimento do comércio, segundo os analistas, foi resultante da Black Friday, ainda não totalmente dessazonalizada pelo IBGE. Mesmo assim, a atividade econômica está se expandindo em cima de bases sólidas, de acordo com Thiago Xavier, economista da Tendências. O consumo das famílias, beneficiado por juros e endividamento das pessoas físicas em queda, inflação controlada, alta da confiança e crescimento da massa real de rendimentos, é o principal motor dessa retomada.

Os indicadores antecedentes de dezembro, pelo menos por enquanto, reforçam esse quadro. Nos cálculos já dessazonalizados pela Tendências, em relação novembro a produção de veículos cresceu 7,4%, assim como o fluxo pedagiado de veículos pesados (2,5%) e a expedição de papel ondulado (1,2%).

Takeda, da Pezco, também destaca positivamente a confiança da indústria medida pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que cresceu 2,9 pontos, de 95,4 para 98,3, em dezembro, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2014. "Esses números convergem com a análise de que a atividade está ganhando tração", diz Xavier, da Tendências, que calcula crescimento de 1% do PIB em 2017.


Fonte: Valor - Macroeconomia, por Estevão Taiar e Eduardo Campos , 16/01/2018